Grupo de Mídia SP

Por Renato Gosling*

Como acontece toda vez que uma nova mídia aparece no mercado, diversas dúvidas vêm ”atormentando” nossos corações e mentes publicitários e anunciantes diante da emergência do mundo mobile. Uma que sempre aparece é: “Quanto custa para fazer um aplicativo? Ou “Qual é a médiade preços?”. Ou ainda “Por que o valor é tão alto?”. Dos mais curiosos costumo ouvir “E se eu fizesse dentro de casa”?

Ainda que sejam várias as perguntas, elas se resumem a uma só, e repetida com frequência incrível.

Como, pelo “job description”, preciso ter expertise nessa área, eu me atrevo a fazer alguns esclarecimentos a respeito:

O preço médio de um app para telefonia móvel varia muito, no exterior e no Brasil. E o que determina a variação é, sobretudo, sua complexidade – assim como com qualquer projeto digital. Outros fatores podem ser levados em conta nessa precificação, naturalmente, como o tempo solicitado pelo cliente, mas o peso maior é o da complexidade. Podemos falar que um aplicativo mobile desenvolvido sob encomenda custa entre R$ 50 mil e R$ 200 mil e um patrocinado gira em torno de R$ 100 mil a R$ 250 mil (ano).

O leitor achou os aplicativosmuito caros? Primeiramente, vale observar que o muito caro também é muito relativo. Se 100 mil pessoas extremamente qualificadas baixarem seu app e o utilizarem com uma frequencia de três vezes por semana, permanecendo ali por no mínimo dez minutos toda vez que acessarem, o investimento de R$ 150.000 começa a parecer um negócio muito vantajoso, comparativamente a meios de comunicação como TV, rádio, impressos etc. (e realmente é!), um ganha-ganha e talvez até uma pechincha.

Outro aspecto do valor, real e percebido, tem a ver com a qualidade dos profissionais da empresa de soluções mobile que o cliente contrata, entre desenvolvedores e gestores, ou pessoal de produção e de apoio. Tudo tem um preço. Por exemplo, o leitor pode comprar uma camisa em uma alfaitaria com décadas de experiência, capaz de garantir o corte e o caimento perfeitos para seu corpo, pois é sua especialidade. E para completar, o alfaiate talvez tenha nome forte e reconhecido no mercado, o que significa uma segunda garantia, importante para quem pretende usar a camisa mais de uma vez. Ou você pode comprar uma camisa do mesmo número e cor, só que sem todo o resto, por um décimo do preço em uma lojinha do Brás, na cidade de São Paulo.

O que entra nessa conta são a experiência, a qualidade do trabalho final, o atendimento, o resultado e a garantia. Certamente as outras pessoas perceberão se sua camisa é do Brás ou da Camisaria Rocha, inaugurada em 1914 e a mais tradicional de São Paulo, que fica no bairro dos Jardins A questão é tão simples quanto definir, para si mesmo,a importância de sua apresentação pessoal.

Lia outro dia uma interessante entrevista com Marco Stefanini, dono da multinacional brasileira Stefanini IT Solutions, em que ele dizia mais ou menoso seguinte: osclientes empresariais americanos contratam desenvolvedores indianos quando querem um software básico e chamam desenvolvedores brasileiros, irlandeses ou israelenses para soluções estratégicas que exigem crescente grau de sofisticação. Na hora me ocorreu: é o mesmo tipo de escolha de camisa – entre a confecção do Brás e o da camisaria centenária dos Jardins.

Por fim, “e se você fizesse o app ’dentro de casa‘?

Desenvolver o aplicativo dentro de casa, por fim, talvez equivalha a pedir uma camisa a sua esposa que terminou um curso de corte e costura.

Em outras palavras, defendo que a resposta sobre o preço não tem relação com o preço em si, mas com seu objetivo. A reflexão que todo anunciante e agência publicitária tem de fazer, a cada vez que for encomendar um app para mobile, é a seguinte: do que eu preciso? De uma camisa feita em larga escala para meu dia-a-dia no escritório? De uma camisa elegante, de designer, para ocasiões importantes? Ou de uma camisa costurada com toda a dedicação por minha esposa para vestir em reuniões familiares?



* Renato Gosling, 34 anos, é especialista em internet e tendências do 
mercado online com foco em mobile marketing. Palestrante e fundador do MAB (Mobile Advertising Brasil), é sócio-diretor de novos negócios da FingerTips, empresa pioneira e referência em rich mobile no Brasil e na América Latina.
Há 15 anos no mercado de propaganda, marketing e tecnologia, Gosling já trabalhou nas maiores empresas do meio, que inclui: gestão da área de internet Y&R, Grupo Eugenio, Rede Elemídia e Hands Mobile."
Em toda sua carreira conquistou e atendeu clientes como PepsiCo, Bradesco, Tecnisa, Cyrela, Dell Brasil, Nestlé, Fiat, HSM, Sul América, Natura, IBM, Amil entre outros".

twitter.: renato_gosling
renato@ftips.com.br
renato@mobileadvertisingbrasil.com.br
http://www.slideshare.net/renato_gosling

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